A biodiversidade!



Não é fácil encontrar um conceito de biodiversidade que tenha o aval de todos, pois é entendida por diferentes formas, podendo estar relacionada com a riqueza e equitabilidade, para medir números e diferenças entre os atributos taxonómicos ou valorizar o raro (vulnerável), o belo e o pouco habitual (Araújo, 1999).
Mas existem definições que explicitam a importância da biodiversidade e a sua abrangência como a que consta em Millennium Ecosystem Assessment (2005): “Biodiversidade é a variabilidade entre organismos vivos de todas as fontes, incluindo os ecossistemas terrestres, os marinhos, outros ecossistemas aquáticos e os complexos ecológicos dos quais fazem parte; isso inclui diversidade dentro de espécies, entre espécies e de ecossistemas”.
Na verdade, a biodiversidade é a base dos serviços que os ecossistemas prestam diretamente ao ser humano, permitindo-lhes o bem-estar.
Durante muito tempo, o homem esqueceu-se muitas vezes da importância que os serviços dos ecossistemas têm na vida humana. Esta postura levou a um aumento da poluição do ar, das águas e dos solos, das florestas, assim como uma redução das espécies nos seus habitats, como por exemplo os stocks de peixe.
A biodiversidade foi-se alterando e adaptando à evolução do Planeta, nomeadamente às alterações climáticas (eras glaciares e interglaciares) e geológicas (movimentos das placas tectónicas, erupções vulcânicas e enrugamentos das placas). Mas estas alterações foram sempre de origem natural e mais ou menos rápidas consoante a sua origem.  O primeiro grande impacto foi com a revolução industrial que provocou um aumento muito grande da poluição (do ar, das águas e dos solos) e ainda um consumo elevado de alguns recursos naturais. No entanto, a velocidade de degradação da biodiversidade disparou na segunda metade do século XX com o grande desenvolvimento industrial e tecnológico, acompanhado do elevado consumo por parte das populações dos países mais industrializados.
De uma maneira geral só se contabilizam os custos do que podemos usar, não sendo contabilizados os benefícios que os ecossistemas nos podem dar, como o oxigénio, a estabilização dos solos, o armazenamento do carbono, o habitat dos seres vivos, o equilíbrio da temperatura, a prevenção das inundações entre outras dádivas.
À biodiversidade pode-se atribuir um valor patrimonial pois influencia os suportes dos biomas, mas se os benefícios dos ecossistemas fossem quantificados, a sociedade poderia dar mais importância à biodiversidade. Na verdade, a degradação e o esgotamento de muitos dos serviços dos ecossistemas representam uma perda que normalmente não é refletida nos indicadores económicos e até de bem-estar.  Existem diferentes formas de quantificar a biodiversidade, medindo-se a abundância de espécies, as suas características funcionais e as interações entre as espécies. Contudo não é fácil medir a biodiversidade, porque os registos são insuficientes cobrindo essencialmente as regiões temperadas do norte.
É muito importante que conheçamos os ecossistemas, para podermos usufruir deles, mas não esquecendo de os preservar de forma a que as gerações vindouras possam também elas desfrutar de todos os seus serviços.


Bibliografia:
Araújo, M. (1998) "Avaliação da biodiversidade em conservação", Silva Lusitana , 6(1):19-40
Christie, M. et al. (2006) "Valuing the diversity of biodiversity", Ecological Economics , 58:304-317
Millennium Ecosystem Assessment (2005) Ecosystems and Human Well-being: Biodiversity Synthesis. World Resources Institute, Washington, D.C
Vídeos:
“Biodiversidade e serviços dos ecossistemas” – UAb, 2010 de Bacelar-Nicolau, P e Azeiteiro, U.M.
“Ecosystem services and biodiversity – science for environment Policy”. De: European Commusson (2016)

Comentários

  1. Fátima, muito bom texto (Partes 1 e 2 :) ), tanto a nível estrutural como de conteúdo. Mostra uma boa apropriação dos conceitos em estudo e uma boa abordagem ao caso concreto do javali no PN Arrábida.
    Apenas um comentário à sua frase "Contudo não é fácil medir a biodiversidade, porque os registos são insuficientes cobrindo essencialmente as regiões temperadas do norte."
    … e não só!!! Primeiro, há q escolher a que nível (ou níveis ...) medimos a biodiversidade ex. genético, espécie, comunidade, ecossistema ... e depois para cada um destes níveis qual (ou quais) as metodologias a utilisar para essa "medição". Por ex. definição de espécie para um mamífero ou para uma planta (que apresentam frequentemente híbridos férteis, etc) ou microrganismo bacteriano (organimos com reprodução assexuada; atualmente a taxonomia é fundamentalmente feita com base nas semelhanças das sequências de ADN) - é diferente. E diferentes são, também, as metodologias de identificação utilizadas para cada grupo taxonómico. São situações complexas ...
    Continuação de bom trabalho, Paula Nicolau

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