A biodiversidade!
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Mas existem definições
que explicitam a importância da biodiversidade e a sua abrangência como a que
consta em Millennium Ecosystem Assessment (2005): “Biodiversidade é a
variabilidade entre organismos vivos de todas as fontes, incluindo os ecossistemas
terrestres, os marinhos, outros ecossistemas aquáticos e os complexos
ecológicos dos quais fazem parte; isso inclui diversidade dentro de espécies,
entre espécies e de ecossistemas”.
Na verdade, a
biodiversidade é a base dos serviços que os ecossistemas prestam diretamente ao
ser humano, permitindo-lhes o bem-estar.
Durante muito tempo, o
homem esqueceu-se muitas vezes da importância que os serviços dos ecossistemas
têm na vida humana. Esta postura levou a um aumento da poluição do ar, das
águas e dos solos, das florestas, assim como uma redução das espécies nos seus
habitats, como por exemplo os stocks de peixe.
A biodiversidade foi-se
alterando e adaptando à evolução do Planeta, nomeadamente às alterações
climáticas (eras glaciares e interglaciares) e geológicas (movimentos das
placas tectónicas, erupções vulcânicas e enrugamentos das placas). Mas estas
alterações foram sempre de origem natural e mais ou menos rápidas consoante a
sua origem. O primeiro grande impacto foi
com a revolução industrial que provocou um aumento muito grande da poluição (do
ar, das águas e dos solos) e ainda um consumo elevado de alguns recursos
naturais. No entanto, a velocidade de degradação da biodiversidade disparou na
segunda metade do século XX com o grande desenvolvimento industrial e
tecnológico, acompanhado do elevado consumo por parte das populações dos países
mais industrializados.
De uma maneira geral só
se contabilizam os custos do que podemos usar, não sendo contabilizados os
benefícios que os ecossistemas nos podem dar, como o oxigénio, a estabilização
dos solos, o armazenamento do carbono, o habitat dos seres vivos, o equilíbrio
da temperatura, a prevenção das inundações entre outras dádivas.
À biodiversidade pode-se
atribuir um valor patrimonial pois influencia os suportes dos biomas, mas se os
benefícios dos ecossistemas fossem quantificados, a sociedade poderia dar mais
importância à biodiversidade. Na verdade, a degradação e o esgotamento de
muitos dos serviços dos ecossistemas representam uma perda que normalmente não
é refletida nos indicadores económicos e até de bem-estar. Existem diferentes formas de quantificar a
biodiversidade, medindo-se a abundância de espécies, as suas características
funcionais e as interações entre as espécies. Contudo não é fácil medir a
biodiversidade, porque os registos são insuficientes cobrindo essencialmente as
regiões temperadas do norte.
É muito importante que
conheçamos os ecossistemas, para podermos usufruir deles, mas não esquecendo de
os preservar de forma a que as gerações vindouras possam também elas desfrutar
de todos os seus serviços.
Bibliografia:
Araújo, M. (1998) "Avaliação
da biodiversidade em conservação", Silva Lusitana , 6(1):19-40
Christie, M. et al. (2006) "Valuing the diversity of
biodiversity", Ecological Economics , 58:304-317
Millennium Ecosystem Assessment (2005) Ecosystems and Human
Well-being: Biodiversity Synthesis. World Resources Institute,
Washington, D.C
Vídeos:
“Biodiversidade e serviços dos
ecossistemas” – UAb, 2010 de Bacelar-Nicolau, P e Azeiteiro, U.M.
“Ecosystem services and biodiversity – science for environment Policy”. De:
European Commusson (2016)

Fátima, muito bom texto (Partes 1 e 2 :) ), tanto a nível estrutural como de conteúdo. Mostra uma boa apropriação dos conceitos em estudo e uma boa abordagem ao caso concreto do javali no PN Arrábida.
ResponderEliminarApenas um comentário à sua frase "Contudo não é fácil medir a biodiversidade, porque os registos são insuficientes cobrindo essencialmente as regiões temperadas do norte."
… e não só!!! Primeiro, há q escolher a que nível (ou níveis ...) medimos a biodiversidade ex. genético, espécie, comunidade, ecossistema ... e depois para cada um destes níveis qual (ou quais) as metodologias a utilisar para essa "medição". Por ex. definição de espécie para um mamífero ou para uma planta (que apresentam frequentemente híbridos férteis, etc) ou microrganismo bacteriano (organimos com reprodução assexuada; atualmente a taxonomia é fundamentalmente feita com base nas semelhanças das sequências de ADN) - é diferente. E diferentes são, também, as metodologias de identificação utilizadas para cada grupo taxonómico. São situações complexas ...
Continuação de bom trabalho, Paula Nicolau