Ameaças à Geodiversidade e Geoconservação.
As atividades antrópicas são a
causa da maioria das ameaças à Geodiversidade.
O Homem necessita da Geodiversidade
para viver, mas tem-na destruído sistematicamente através da degradação das
paisagens e da deterioração das jazidas devido à exploração de recursos
minerais.
Quando a exploração dos recursos
é feita a céu aberto, pode não ser só a paisagem a ser afetada, mas também as
zonas costeiras e os leitos dos cursos dos rios. A erosão destas áreas é muitas
vezes acelerada com a construção de infraestruturas como as barragens e os
diques que retêm grandes quantidades de sedimentos, mas também pela extração de
inertes que acontece em muitos dos leitos. Estas intervenções são também uma
ameaça à Geodiversidade, grande parte das vezes alterando as dinâmicas dessas
regiões.
Outro atentado à Geodiversidade é
a gestão dos resíduos que tem cada vez maior produção. As soluções encontradas
para processar os resíduos têm sido muito limitadas, algumas delas com grandes
impactos na natureza (paisagem, solos e recursos hídricos), como por exemplo os
aterros.
Dos vários exemplos que o autor
Brilha (2005) fez na obra “Património
Geológico e Geoconservação”, saliento a situação do rio Mondego,
nomeadamente as infraestruturas construídas no leito do rio e as suas consequências.
Ao longo da bacia hidrográfica do rio existe uma enorme biodiversidade e
geodiversidade que se tem adaptado às alterações sucessivas. As indústrias e as
atividades agrícolas contribuíram para grandes alterações que foram surgindo
nesta região. Tem também sofrido uma enorme pressão urbanística, principalmente
no litoral, devido às atividades turísticas que contribuíram para o aumento de consequências
negativas.
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Rio Mondego e
principais afluentes, bem como as diversas barragens (retirado de Folha – 2011)
A construção do molhe e de esporões para
proteção da costa da Figueira da Foz, tem alterado o perfil das praias na foz do rio Mondego. A estas
opções, se juntarmos a retenção dos sedimentos nas barragens, encontramos as explicações para a redução dos depósitos no litoral.
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| Figueira da Foz |
As várias opções de construções e
intervenções ao longo do rio Mondego e junto à sua foz, têm tido vários
impactos negativos, que poderiam ter sido evitados com escolhas e soluções mais
acertadas.
Grande parte das ameaças à Geodiversidade são
provocadas pelo desconhecimento por parte dos políticos, dos técnicos e ainda
da população em geral, que além de não ajudar na conservação, acelera os
processos de deterioração.
Todo o Património, seja ele
natural ou não deve ser conservado. A Geoconservação é necessária para a preservação
da biodiversidade e da geodiversidade. Segundo Brilha (2005), Geoconservação “tem
como objetivo a conservação e gestão do Património Geológico e processos
naturais a ele associados”.
Referências bibliográficas:
Brilha, J. (2005). Património Geológico e Geoconservação,
pp. 40-51. Braga: Palimago.
Brilha, J. (2016). Inventory and Quantitative Assessment of
Geosites and Geodiversity Sites: a Review. Geoheritage, 8(2): 119-134.
Folha, R. (2011). Impactes naturais e antrópicos no
Estuário do rio Mondego e litoral adjacente. FLUC. Coimbra


Obrigado por estes informações e vídeo sobre o Mondego. Olhando o mapa é triste aperceber que o maior rio nascido em Portugal corre por regiões onde a floresta nativa quase desapareceu inteiramente. Vivemos de facto no Antropoceno, a marca da presença humana no planeta é simplesmente omnipresente e raras vezes em equilíbrio com as restantes espécies ou sequer com a geologia local.
ResponderEliminarInteressante exemplo e video sobre o Mondego. Apesar das ameaças, ainda assim, uma esperança de que a natureza e o ser humano possam conviver :)
ResponderEliminarContinuação de bom trabalho,